Aperta-se-me o peito, ecoa um grito surdo em mim como se não pudesse contar a ninguém como me sinto desolada. Que pesadelo que não acaba, os dias mudaram, os horários mudaram e a vida deixou de fazer com que os nossos caminhos se cruzem. Já não há sorrisos. Os meus olhos procuram-te na cidade por toda a parte e o 35 já não está no seu lugar. Sinto-me de coração despedaçado e tento-me convencer que já não tenho idade para sofrer assim. Sinto-me tão triste que os meus olhos não encontram alento em nada. Passo os dias a contar os minutos para que acabem. Numa tentativa frustrada de ocupar a cabeça estou a tentar refazer os meus canteiros de flores preciso de ver vida, coisas a brotarem e a trazerem energia e sorrisos. Fiquei viciada em sentir-me viva, fiquei viciada no turbilhão de emoções que me fazias sentir quando estavas por perto. Será a adultez fase de esquecer e partir sem regatear com a vida o quão injusta e cruel está a ser... Como se esquece alguém que nunca foi teu. Quando vais à luta e perdes, parece o universo a brincar contigo. Afinal mais vale estar quieta, afinal quando uma borboleta bate asas nem sempre saberemos onde e quando a teoria do caos entrará em ação. Eu só precisava de compreender a sequência de eventos dos últimos meses e seguir em frente sem este nó de inquietação que me consome cada vez que carrego o pé no acelerador e sei que não estarás lá para mim no fim da estrada.
Sem comentários:
Enviar um comentário