quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Miau

Entraste na minha vida numa tarde de verão linda. Foi naquele dia que tu o senhor não tenho tempo para nada arranjaste tempo e te dedicaste a encontrar a menina flor como dizias. A química quando se encontra é tão rara que o desejo de se tornar física fez-nos ferver por loucas noites. Sei que tropeço de ternura por ti que criámos uma empatia que se entranha e faz pensar em ir mais longe, em apostar sério em ser feliz. Mas mais uma vez a puta da vida não te deixa assumir compromissos, não és mesmo tu que não queres porque são complicadas as relações à distância, porque não paras a rodar de norte a sul e no fundo porque existem coisas que eu não sei .... e que também contam na tua decisão. Lamento tanto porque eu apostaria em ti de coração. Demorei a deixar-te ir e ainda não deixei a cem por cento porque quando me falas o teu miau derrete-me toda e mesmo sem te ter sei que te tenho à distância de um clic. Estabeleci um prazo de validade para a nossa loucura e fui estendendo com o tempo, o tempo acabou. E se um dia ainda pus a hipótese de te ter pela metade hoje sinto que contigo nunca quereria só metade. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Summer

Verão tiraste-me todo o discernimento, toda a compostura, todo o receio, todo o travão foi para o espaço. Não cometi a maior das loucuras mas deve faltar muito pouco. Mas vida como podes ser tão irónica dás de um lado e tiras do outro. Vida como me pões a ferver desta forma depois de tanto tempo. Não sou a mesma pessoa. O coração bate de forma diferente, aspiro coisas diferentes, o viver mudou. 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Amor de Verão?

Todos os dias na ida para o trabalho comecei a reparar nas motos que passavam por mim tanto de manhã como ao fim do dia. Por casualidade comecei a perceber que eram as mesmas pessoas, comecei a fixar as matrículas. E lá estavas tu todos dias, x. Até que nas minhas caminhadas aos fins de semana uma moto suspeita começou a passar para trás e para a frente era suspeito demais. Todo o tempo que demorei nas compras, viste-me ao telefone na bomba da gasolina e voltaste a passar com os teus amigos, mr wingman and miss wingwoman. Tremi quando passaste por mim depois da rotunda, como eu queria ter poderes especiais e ver através do teu capacete. Na estrada a caminho de Aveiro viste como espreitei a tentar ter a certeza que eras tu. 

Até que nos seguiste até à Costa Nova e na praia não sei se eras tu. Sei que me vou arrepender até ao fim dos meus dias de não ter tirado a prova dos nove. Já estou a pagar, estou com uma nuvem daqui até à lua. Deus sabe que tu me tentaste dizer de todas as maneiras, a forma como paraste à beira mar à minha espera, como te sentaste, como olhaste, como hesitaste antes de ir embora. Caramba porque não falaste, nem disseste nada. Caramba como somos parecidos, como na dúvida congelo, como o stress me paralisa os movimentos. Volta, perdoa-me. Será que ainda me viste correr até ao passadiço, já tarde demais. Será que me viste dizer adeus. Será que eras tu? Será que o meu discernimento está focado?

Não, não, sonhei! Foi o adenoma que tenho no cérebro e a medicação que não está equilibrada, estou a mil as hormonas estão descontroladas, sim quero-te mais que tudo e não me reconheço. Não sei quem sou e porque me tiras o sono. Porque ferves dentro de mim. Ontem em Coimbra quando levantaste a mota e fizeste o cavalinho ia-me parando o coração. Tentei fazer-te perceber que estava ali só para ti no parque, à tua espera mas tu não, louco andavas de um lado para o outro novamente. A moto, o som da mota querido eu não sei decifrar. Parece-me agora o rugido do leão em sofrimento porque também não sabes como fazer, o que fazer. Quero acreditar. Eu na estrada não tenho como parar babe. Às vezes de noite na cama juro que ouço o barulho das motos e imagino que és tu por aí a fazer-te sentir. Hoje não tive a certeza que eras tu no parque sei que ouvi os rugidos ao final da tarde, quem dera que fosses tu. Não desistas de mim, sim? Ou será que sonhei?

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Fim de capítulo

Início de mês. Estendo o tapete. A teimosia perdeu. Hoje ia jurar que escreveste na sujidade do meu carro as iniciais do teu nome que não sei. A loucura cria no imaginário histórias mirabolantes. Como se surgisses do nada e viesses de um mundo obscuro onde estiveste este tempo todo só para me arrebatar e surpreender e deixar uma mensagem de vida. O passado espreita nas histórias virtuais da vida. E de repente o teu mundo abana e acordas para a realidade. Já chega de te agarrares à maldita esperança. Resumo da história muitas vezes mesmo quando não ficas à espera, quando te enches de coragem, quando lutas pelo que queres e quando fazes o gesto mais romântico do mundo o outro lado pode não entender. O silêncio é a maior dos baldes de água fria que levarás e nunca superarás a brutal rejeição sem a oportunidade de proferires uma palavra para te defenderes. Aos corajosos deste mundo valeu a pena. Tudo vale a pena se... com alma e coração fui para o bosque porque sim quero, preciso, necessito de viver deliberadamente, sugar todo o tutano da vida, aniquilar o que não é vida!!! Tenho dito. Prometo olhar para os sorrisos da vida, abrir a porta a quem bate mesmo que não traga a emoção e o coração que bate forte e faz tremer. Porque a humanidade não faz mal a ninguém e nem tudo conduz ao amor duro e puro, às vezes é ternura, é vida com toques de momentos mágicos e pessoas que se cruzam profundamente. Algumas vezes pode acabar num abraço, num sorriso, numa amizade, numa pessoa a mais na bagagem de pessoas que te fazem sorrir e na maioria dos dias isso dá-te a força e o brilho no olhar para seguir em frente. Continuarei à espera de uma explicação do universo e que a vida seja generosa. xxx

sábado, 17 de abril de 2021

Still

Continuo a procurar-te e não consigo conceber este nível de obsessão que me transtorna e inquieta. Como podemos passar de um estado de paz em que estamos bem com a condição de estarmos sós para de repente nos sentirmos num estado de agonia e inquietação tremendo. Depois de tanto tempo... foi em Dezembro que te vi a última vez. Olho para aquelas pessoas que te substituem e questiono a cada mês quanto tempo faltará mais para voltares. Mas depois e se voltares... congelo! Revolto-me que não vieste à minha procura. Continuo aqui a tentar perceber esta história do apego e do não posso viver sem ti, sem saber para seguir em frente. Sinto saudades de me sentir em paz, sem expectativas mas sobretudo una e estável. 

sábado, 13 de março de 2021

Questão de sobrevivência

Por questões profissionais sei que estarás longe diversos meses. Todos os dias te procuro pois não sei para que local foste destacado. Sei que estás algures a norte, sul, este ou oeste de mim. Procuro-te nas mil caras dos carros que passam por mim todos os dias. Procuro-te todos dias, dói, dói todos dias um pedaço mais. Não te consigo tocar, não consigo parar de pensar que é como quem diz verbalizar que ambos perdemos. Como diz a música I give up forever to touch you cause I know that you feel me somehow. Quero acreditar que existe uma energia no universo que te transmite o quanto chamo por ti. Que te transmite as saudades imensas que tenho. Tento manter-me firme, o que não me mata torna-me mais forte. Quantos meses serão? Sobreviver, irei sobreviver sempre com remorso... porque é que eu não arrisquei mais... com mágoa. Porque é que tu não arriscaste mais... Perdemos os dois. Agora aguenta coração.  

quarta-feira, 3 de março de 2021

Profunda tristeza

Aperta-se-me o peito, ecoa um grito surdo em mim como se não pudesse contar a ninguém como me sinto desolada. Que pesadelo que não acaba, os dias mudaram, os horários mudaram e a vida deixou de fazer com que os nossos caminhos se cruzem. Já não há sorrisos. Os meus olhos procuram-te na cidade por toda a parte e o 35 já não está no seu lugar. Sinto-me de coração despedaçado e tento-me convencer que já não tenho idade para sofrer assim. Sinto-me tão triste que os meus olhos não encontram alento em nada. Passo os dias a contar os minutos para que acabem. Numa tentativa frustrada de ocupar a cabeça estou a tentar refazer os meus canteiros de flores preciso de ver vida, coisas a brotarem e a trazerem energia e sorrisos. Fiquei viciada em sentir-me viva, fiquei viciada no turbilhão de emoções que me fazias sentir quando estavas por perto. Será a adultez fase de esquecer e partir sem regatear com a vida o quão injusta e cruel está a ser... Como se esquece alguém que nunca foi teu. Quando vais à luta e perdes, parece o universo a brincar contigo. Afinal mais vale estar quieta, afinal quando uma borboleta bate asas nem sempre saberemos onde e quando a teoria do caos entrará em ação. Eu só precisava de compreender a sequência de eventos dos últimos meses e seguir em frente sem este nó de inquietação que me consome cada vez que carrego o pé no acelerador e sei que não estarás lá para mim no fim da estrada.         

segunda-feira, 1 de março de 2021

Não posso adiar o amor para outro século

Puf.... 2 meses sem sinal de ti. Desapareceste. Todos os dias te procuro e nada. Mudanças associadas à pandemia, estarás em isolamento? Primeiro fui eu, agora estarás tu? Diz-me que não vais desaparecer meses a fio como no verão passado. Preciso que voltes, preciso de fazer cumprir a profecia de que quem vai à luta tem que mais tarde ou mais cedo alcançar a tão merecida recompensa. Os meus dias andam cinzentos, tento ocupar todo tempo livre que posso, parece que a minha cabeça vai explodir e eu não vou aguentar o remorso de ter respeitado tanto o espaço e as questões éticas. Mea culpa, tua culpa. No fim ambos perdemos. Não quero acreditar que é o fim, dói demais. Estou em carne viva e a hemorragia recorrente está a corroer-me por dentro. Março por favor sê gentil. 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Chuva

Sinto-me como se tivesse feito um retiro espiritual sem me ter inscrito no mesmo. Estou com um mau humor daqui até à China. Estou naquele processo em que preciso de aceitar aquilo que não consigo mudar que não está ao meu alcance. Que raiva e revolta. Ao mesmo tempo ecoam em mim os conselhos machistas e de poder que as pessoas me deram... não avances não é a tua vez. No outro dia ouvi alguém dizer que a única coisa que cai do céu é a chuva... tudo o resto temos que lutar, temos que fazer por merecer e foi nesse espírito que um dia num rasgo de loucura fui ter contigo naquele dia. Anteontem... ontem vesti-me da cabeça aos pés com a maior esperança de te encontrar depois deste tempo todo. Coisas da vida não estavas, o teu lugar de estacionamento estava vazio, é muito curioso como nunca ninguém estaciona no teu lugar, como o meu coração bate mais forte quando passo de manhã, vejo o teu carro estacionado e já sei que te vou ver umas horas depois. O mundo parece que sorri nesses dias. Chove torrencialmente e eu que adoro chuva, o cheiro a terra molhada, a vida que brota da àgua... eu estou farta de estar fechada. Preciso das intensas caminhadas ao sol, preciso de libertar esta energia que me atormenta, preciso de te ver e sentir no teu olhar aquela micro reação que te atraiçoa e me diz através do teu comportamento não-verbal que me sentes e procuras no espaço. Preciso de sentir que sorris por detrás da máscara quando te colocas mesmo à minha frente e não te posso tocar. Preciso de tão pouco e ao mesmo tempo quero o mundo. Amanhã lá estarei, à mesma hora no local de sempre será que depois deste mês maluco de confinamento finalmente haverá um sorriso?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Hoje

 

Queria poder ter umas asas e voar... saber e sentir se me tens procurado como muitas vezes já te apanhei a procurar o meu carro no estacionamento. Já lá vão duas semanas sem te ver... e parece que vão ser umas três, obrigatoriedade de confinamento e pandemia em curso... parece que falo de um filme de ficção. 

Aprendi a conhecer a tua linguagem não-verbal, a saber quando estás chateado, a perceber quando os dias te correm bem, quando sorris para a vida. Aprendi que sinto um carinho imenso quando te pões mesmo à minha frente e te ris da brincadeira ... como me aperta o coração de não poder correr para ti e abraçar-te. É por este sentimento que me faz sentir que sou novamente uma adolescente, tinha-me esquecido do que era sentir.... isto. Tinha-me esquecido como era ficar nervosa quando te aproximas, tinha-me esquecido de que o corpo estremece. Tinha-me esquecido da raiva que sinto por nunca me teres respondido ou talvez seja da falta de coragem ainda não sei se da minha ou da tua de esclarecer tudo de uma vez.

É bom perceber que reages à minha presença mesmo quando apareço pela segunda vez ao dia inesperadamente... Como a tua linguagem não-verbal te denuncia. A adrenalina que sinto quando sei que vais lá estar e te vou rever nesse dia. O meu coração serenou quando desapareceste aqueles três meses parece que aquele ditado longe da vista, longe do coração por essa altura significou uma calma inerente a um conjunto de incertezas ... o dia-a-dia era mais rotineiro. A expectativa de estares lá ou não faz com que o dia implique mais ou menos energia. Uma energia que mói e ao mesmo tempo mobiliza. Gostava de saber que naquele pedacinho de tempo que passou a ser o nosso, por pequeno que seja, que pensas em mim, que me procuras, que questionas a minha ausência tão prolongada. Todos os dias penso em ti e em como me surpreendo todos dias por ter tantas saudades de um desconhecido. Mais um dia.. ando a contar os dias... e quase não acredito que isso me está a acontecer, como a vida dá voltas tão surpreendentes e como o nosso psicológico desenha sobre as emoções de uma forma tão complexa. Ora amarga, ora doce para nos lembrar (como diz a música dos Ornatos) que o amor é uma doença quando nele julgamos ver a nossa cura. 

S.    


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Era uma vez ...

 


Fez um ano em Outubro que a minha vida mudou. Que comecei a fazer uma hora de caminho todos os dias para fazer cumprir objectivos de vida. Encontrar um sentido, fazer a diferença na vida de alguém. Na maior parte dos dias sinto-me profundamente feliz apesar do panorama geral. Ao longo deste ano vivi uma paz profunda e purificadora. Existem poucos sítios na vida onde nos sentimos integrados, respeitados e nos sentimos em sintonia com a natureza e tudo à nossa volta. A vida profissional não é tudo mas os meus dias eram tranquilos sem turbulência. Até que no correr dos dias e ao longo das minhas observações lá estavas tu todos dias. Comecei por observar aquele ser sem saber bem porquê. Apenas me lembro do som do teu sorriso por detrás da máquina a falar inglês e eu a responder ironicamente. Depois daquele dia tu estavas sempre lá parado à porta em início de pandemia sempre alerta. Sempre de preto, sempre firme… um dia ia jurar que falaste comigo como não percebi através da máscara respondi boa tarde. Noutro dia ia jurar que falaste comigo através do teu olhar profundo e penetrante, malandro apanhaste-me nesse dia com o teu olhar lindo. Fizeste-me uma radiografia direta ao coração. Foi nesse dia que eu tremi … e que me questionei se algum dia voltaria a sentir aquele abanão da vida como já não sentia fazia algum tempo. Não consigo bem analisar o tempo mas foram meses que passaram e a certeza de que na hora de almoço te iria ver. Fiz testes e testes a tentar analisar o porquê mas chega a uma altura em que basta sentir aquele estremecimento que nos mobiliza e faz sentir vivo. Nesta minha nova vida passo algum tempo a ouvir rádio. Um dia a Ritinha da Rádio Comercial disse numa emissão que estava a ouvir na hora de almoço: tenha a coragem de dizer àquela pessoa que gosta dela. Depois de um mês…. de tentativas, de turnos em que não estavas lá, consegui dirigir-me a ti enquanto almoçavas. Não sei bem onde fui buscar coragem. Aquela foi a forma mais original que consegui encontrar para tentar chegar até ti. Fiquei assustada com a tua reação. Questiono-me se alguma vez ouviste a música…. Como pudeste silenciar este gesto tão especial. Torná-lo em algo agonizante, este silêncio… Sim sou desconhecida, a tua desconhecida. Naquele dia estava muito atrasada, a nível profissional a minha vida mudou nesse dia … deixei de apoiar alguém que precisava muito de mim, deixei de fazer a diferença na vida de alguém. Um dia se tiver oportunidade conto-te essa história. Até hoje tu nunca respondeste e até hoje não te perdoo a falta de humanidade de me mandares um simples sms a dizer não estou interessado. Era honesto, era sincero. Mas tu não …. Da tua parte só olhares, só silêncio e pouco tempo depois desapareces por mais de 3 meses… Tantas perguntas! És casado? És comprometido? Onde andas? Será que o teu telemóvel é de outro século? Na sexta-feira o meu coração parou quando os nossos olhares se cruzaram depois de tanto tempo. Quando ambos disfarçamos, quando ambos procurávamos o olhar um do outro. Sim porque tu também me sentes. Não te escondas atrás da máscara, das cameras. Na segunda apeteceu-me parar ali o carro e correr para ti só para te dar um abraço, não me enlouqueças… pareceu-me que estavas ali só para me ver passar. Viste… eu fui lanchar na terça só para te ver, assumo. É linda a tua atitude mas não é palpável eu não sei se foi coincidência ou não. Custa assim tanto mandares uma mensagem? Marcar um dia para falarmos longe do teu local de trabalho? Preciso que me atires a bola que te atirei e me mostres que também queres ver o que acontece. Preciso de sentir a tua coragem também, ter a certeza de que isto não é um jogo. Apenas duas pessoas humanas e sensíveis que se podem ou não cruzar na vida. Diz-me algo nem que seja és louca não estou interessado! É claro que eu preferia és louca e estou interessado...