Queria poder ter umas asas e voar... saber e sentir se me tens procurado como muitas vezes já te apanhei a procurar o meu carro no estacionamento. Já lá vão duas semanas sem te ver... e parece que vão ser umas três, obrigatoriedade de confinamento e pandemia em curso... parece que falo de um filme de ficção.
Aprendi a conhecer a tua linguagem não-verbal, a saber quando estás chateado, a perceber quando os dias te correm bem, quando sorris para a vida. Aprendi que sinto um carinho imenso quando te pões mesmo à minha frente e te ris da brincadeira ... como me aperta o coração de não poder correr para ti e abraçar-te. É por este sentimento que me faz sentir que sou novamente uma adolescente, tinha-me esquecido do que era sentir.... isto. Tinha-me esquecido como era ficar nervosa quando te aproximas, tinha-me esquecido de que o corpo estremece. Tinha-me esquecido da raiva que sinto por nunca me teres respondido ou talvez seja da falta de coragem ainda não sei se da minha ou da tua de esclarecer tudo de uma vez.
É bom perceber que reages à minha presença mesmo quando apareço pela segunda vez ao dia inesperadamente... Como a tua linguagem não-verbal te denuncia. A adrenalina que sinto quando sei que vais lá estar e te vou rever nesse dia. O meu coração serenou quando desapareceste aqueles três meses parece que aquele ditado longe da vista, longe do coração por essa altura significou uma calma inerente a um conjunto de incertezas ... o dia-a-dia era mais rotineiro. A expectativa de estares lá ou não faz com que o dia implique mais ou menos energia. Uma energia que mói e ao mesmo tempo mobiliza. Gostava de saber que naquele pedacinho de tempo que passou a ser o nosso, por pequeno que seja, que pensas em mim, que me procuras, que questionas a minha ausência tão prolongada. Todos os dias penso em ti e em como me surpreendo todos dias por ter tantas saudades de um desconhecido. Mais um dia.. ando a contar os dias... e quase não acredito que isso me está a acontecer, como a vida dá voltas tão surpreendentes e como o nosso psicológico desenha sobre as emoções de uma forma tão complexa. Ora amarga, ora doce para nos lembrar (como diz a música dos Ornatos) que o amor é uma doença quando nele julgamos ver a nossa cura.
S.
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