quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Era uma vez ...

 


Fez um ano em Outubro que a minha vida mudou. Que comecei a fazer uma hora de caminho todos os dias para fazer cumprir objectivos de vida. Encontrar um sentido, fazer a diferença na vida de alguém. Na maior parte dos dias sinto-me profundamente feliz apesar do panorama geral. Ao longo deste ano vivi uma paz profunda e purificadora. Existem poucos sítios na vida onde nos sentimos integrados, respeitados e nos sentimos em sintonia com a natureza e tudo à nossa volta. A vida profissional não é tudo mas os meus dias eram tranquilos sem turbulência. Até que no correr dos dias e ao longo das minhas observações lá estavas tu todos dias. Comecei por observar aquele ser sem saber bem porquê. Apenas me lembro do som do teu sorriso por detrás da máquina a falar inglês e eu a responder ironicamente. Depois daquele dia tu estavas sempre lá parado à porta em início de pandemia sempre alerta. Sempre de preto, sempre firme… um dia ia jurar que falaste comigo como não percebi através da máscara respondi boa tarde. Noutro dia ia jurar que falaste comigo através do teu olhar profundo e penetrante, malandro apanhaste-me nesse dia com o teu olhar lindo. Fizeste-me uma radiografia direta ao coração. Foi nesse dia que eu tremi … e que me questionei se algum dia voltaria a sentir aquele abanão da vida como já não sentia fazia algum tempo. Não consigo bem analisar o tempo mas foram meses que passaram e a certeza de que na hora de almoço te iria ver. Fiz testes e testes a tentar analisar o porquê mas chega a uma altura em que basta sentir aquele estremecimento que nos mobiliza e faz sentir vivo. Nesta minha nova vida passo algum tempo a ouvir rádio. Um dia a Ritinha da Rádio Comercial disse numa emissão que estava a ouvir na hora de almoço: tenha a coragem de dizer àquela pessoa que gosta dela. Depois de um mês…. de tentativas, de turnos em que não estavas lá, consegui dirigir-me a ti enquanto almoçavas. Não sei bem onde fui buscar coragem. Aquela foi a forma mais original que consegui encontrar para tentar chegar até ti. Fiquei assustada com a tua reação. Questiono-me se alguma vez ouviste a música…. Como pudeste silenciar este gesto tão especial. Torná-lo em algo agonizante, este silêncio… Sim sou desconhecida, a tua desconhecida. Naquele dia estava muito atrasada, a nível profissional a minha vida mudou nesse dia … deixei de apoiar alguém que precisava muito de mim, deixei de fazer a diferença na vida de alguém. Um dia se tiver oportunidade conto-te essa história. Até hoje tu nunca respondeste e até hoje não te perdoo a falta de humanidade de me mandares um simples sms a dizer não estou interessado. Era honesto, era sincero. Mas tu não …. Da tua parte só olhares, só silêncio e pouco tempo depois desapareces por mais de 3 meses… Tantas perguntas! És casado? És comprometido? Onde andas? Será que o teu telemóvel é de outro século? Na sexta-feira o meu coração parou quando os nossos olhares se cruzaram depois de tanto tempo. Quando ambos disfarçamos, quando ambos procurávamos o olhar um do outro. Sim porque tu também me sentes. Não te escondas atrás da máscara, das cameras. Na segunda apeteceu-me parar ali o carro e correr para ti só para te dar um abraço, não me enlouqueças… pareceu-me que estavas ali só para me ver passar. Viste… eu fui lanchar na terça só para te ver, assumo. É linda a tua atitude mas não é palpável eu não sei se foi coincidência ou não. Custa assim tanto mandares uma mensagem? Marcar um dia para falarmos longe do teu local de trabalho? Preciso que me atires a bola que te atirei e me mostres que também queres ver o que acontece. Preciso de sentir a tua coragem também, ter a certeza de que isto não é um jogo. Apenas duas pessoas humanas e sensíveis que se podem ou não cruzar na vida. Diz-me algo nem que seja és louca não estou interessado! É claro que eu preferia és louca e estou interessado...

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