Todos os dias na ida para o trabalho comecei a reparar nas motos que passavam por mim tanto de manhã como ao fim do dia. Por casualidade comecei a perceber que eram as mesmas pessoas, comecei a fixar as matrículas. E lá estavas tu todos dias, x. Até que nas minhas caminhadas aos fins de semana uma moto suspeita começou a passar para trás e para a frente era suspeito demais. Todo o tempo que demorei nas compras, viste-me ao telefone na bomba da gasolina e voltaste a passar com os teus amigos, mr wingman and miss wingwoman. Tremi quando passaste por mim depois da rotunda, como eu queria ter poderes especiais e ver através do teu capacete. Na estrada a caminho de Aveiro viste como espreitei a tentar ter a certeza que eras tu.
Até que nos seguiste até à Costa Nova e na praia não sei se eras tu. Sei que me vou arrepender até ao fim dos meus dias de não ter tirado a prova dos nove. Já estou a pagar, estou com uma nuvem daqui até à lua. Deus sabe que tu me tentaste dizer de todas as maneiras, a forma como paraste à beira mar à minha espera, como te sentaste, como olhaste, como hesitaste antes de ir embora. Caramba porque não falaste, nem disseste nada. Caramba como somos parecidos, como na dúvida congelo, como o stress me paralisa os movimentos. Volta, perdoa-me. Será que ainda me viste correr até ao passadiço, já tarde demais. Será que me viste dizer adeus. Será que eras tu? Será que o meu discernimento está focado?
Não, não, sonhei! Foi o adenoma que tenho no cérebro e a medicação que não está equilibrada, estou a mil as hormonas estão descontroladas, sim quero-te mais que tudo e não me reconheço. Não sei quem sou e porque me tiras o sono. Porque ferves dentro de mim. Ontem em Coimbra quando levantaste a mota e fizeste o cavalinho ia-me parando o coração. Tentei fazer-te perceber que estava ali só para ti no parque, à tua espera mas tu não, louco andavas de um lado para o outro novamente. A moto, o som da mota querido eu não sei decifrar. Parece-me agora o rugido do leão em sofrimento porque também não sabes como fazer, o que fazer. Quero acreditar. Eu na estrada não tenho como parar babe. Às vezes de noite na cama juro que ouço o barulho das motos e imagino que és tu por aí a fazer-te sentir. Hoje não tive a certeza que eras tu no parque sei que ouvi os rugidos ao final da tarde, quem dera que fosses tu. Não desistas de mim, sim? Ou será que sonhei?
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